Redação
Em Barra do Garças, a cerca de 516 km de Cuiabá, a cheia do Rio Araguaia não representa apenas um fenômeno natural: marca também o momento aguardado em que a “onça bebe água”. A tradição surgiu a partir de um mural de onça-pintada na orla do rio, na região do Porto do Baé. À medida que o nível do rio sobe, a água se aproxima da pintura do animal agachado, criando a impressão de que ele está bebendo.
Todos os anos, moradores se reúnem em frente ao mural para acompanhar o avanço das águas. Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ver pessoas tirando fotos e celebrando o momento simbólico, que já se consolidou como parte do calendário afetivo da cidade.
Embora não tenha reconhecimento formal como patrimônio cultural, a pintura integra o imaginário coletivo barra-garcense. Segundo a Prefeitura, não há registro preciso sobre quando a expressão começou a ser utilizada, mas ela ganhou força nos últimos anos com a circulação de vídeos e a mobilização espontânea da população.
A administração municipal afirma que chegou a promover enquetes para incentivar a participação popular no fenômeno natural, reforçando o sentimento de pertencimento e a valorização dos elementos simbólicos locais.
O autor do mural, o artista Paulo Artes, chegou à cidade em 2000 e já desenvolvia trabalhos artísticos há cerca de 15 anos. Em 2004, ele pintou a primeira versão da onça em uma das laterais do Porto do Baé. A obra, no entanto, foi apagada durante intervenções na região, o que gerou reação da população.
“Todo mundo começou a reclamar e falar: ‘Não, ali tinha uma onça que bebia água. Por que apagaram?’ Aí eu, por conta própria, fui lá e fiz de novo”, relembrou o artista.
Em 2023, Paulo voltou a pintar a onça, desta vez de frente para o Rio Araguaia, retomando a tradição que já fazia parte da paisagem e da memória local. Para ele, a obra simboliza o acolhimento da cidade ao seu trabalho e representa a cultura regional eternizada no espaço urbano.
Para a Prefeitura de Barra do Garças, o fenômeno vai além de uma curiosidade visual. O mural reforça a relação histórica e afetiva da população com o rio e seus ciclos naturais, além de estimular a conscientização ambiental sobre a preservação das nascentes e dos recursos hídricos.
Mais do que uma pintura, a “onça bebendo água” tornou-se um símbolo de identidade, capaz de unir moradores e visitantes em torno de uma experiência coletiva que mistura arte, natureza e memória.
Fonte g1 MT
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